Rede Solidária São Leo

Como exemplo de nosso trabalho, citamos nossa atuação na criação do projeto do Espaço Colaborativo para fomentar atividades de curricularização da extensão universitária em uma perspectiva de inovação socioambiental na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (com campi em São Leopoldo e Porto Alegre/RS) – https://unisinos.br/espaco-colaborativo/. Na concepção e desenvolvimento do projeto foram utilizadas metodologias do design estratégico como o mapeamento de agentes que fazem parte do ecossistema da Universidade, a articulação dos mesmos para a cocriação de ideias, a elaboração de protótipos (ideias em estágio de esboço que geram discussões e consequentes aprimoramentos), a criação de diferentes canais de comunicação com os públicos, entre outras metodologias. 

A partir da implantação do projeto, realizamos uma série de capacitações em oficinas participativas para que a comunidade docente pudesse se envolver na proposição de atividades extensionistas. Neste projeto, articulamos a Rede Solidária São Leo (rede criada para contribuir com as famílias moradoras de ocupações urbanas em São Leopoldo/RS), o NEABI (Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas), o Tecnosinos (Parque Tecnológico da Universidade), a Associação Antonio Vieira, a Prefeitura Municipal de São Leopoldo e as coordenações de cursos de graduação e pós-graduação. 

Ao participarmos da criação e articulação da Rede Solidária São Léo, contribuímos com a conexão das comunidades moradoras de ocupações urbanas na cidade de São Leopoldo/RS com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, Movimento Nacional da Luta pela Moradia – MNLM, Comunidade Missionárias do Cristo Ressuscitado – CMCR, pessoas e organizações comprometidas com a proteção social e solidariedade no município. Estas realidades são desafiadoras, levando em conta que a população moradora das ocupações vive em moradias precárias, sem acesso à luz, água, saneamento. Tem dificuldades de acesso e acolhimento pelos serviços de educação, saúde, emprego, proteção social. Vive em permanente insegurança alimentar e nutricional, ameaçados pelas diversas violências da vida cotidiana e institucionais.

Desde março de 2020, a Rede articula experiências de solidariedade e de proteção social junto a 17 comunidades moradoras de ocupações, com aproximadamente 5 mil famílias, em processos de: cuidado da alimentação (através da distribuição de cestas básicas incluindo itens produzidos nas próprias comunidades através de projetos de geração de renda e cozinhas comunitárias), cuidados com o ambiente e a saúde; proteção sócio assistencial e educacional; geração de trabalho e renda; acesso e inclusão digital; acompanhamento individual e coletivo no enfrentamento às violações de direitos. Sociedade civil e empresariais são fundamentais em um grande mutirão garantidor da proteção, solidariedade e afirmação de um novo projeto de sustentabilidade territorial e municipal.

Reconhecemos que a Rede passou por várias etapas: MOBILIZAÇÃO PARA O APOIO ÀS COMUNIDADES MORADORAS DE OCUPAÇÕES. Sensibilizar que não são invasores, mas pessoas que foram expulsas historicamente do acesso às distribuições das riquezas e da terra. ORGANIZAÇÃO DAS COMUNIDADES para a identificação das necessidades e partilha, já que também nestes espaços a desigualdade se reproduz. INCIDÊNCIA JUNTO AO PODER PÚBLICO, dando vistas às invisibilidades destas comunidades junto às políticas e equipamentos públicos. O PROCESSO INDIVIDUAL E COLETIVO nas negociações, enfrentando a cultura individualista. O ENFRENTAMENTO ÀS PRÁTICAS ASSISTENCIALISTAS E PATERNALISTAS presentes em muitas ações pessoais e organizacionais, que são contrárias à afirmação da cidadania e dos direitos. A convivência e experiências grupais são as estratégias metodológicas fundantes para a formação, trabalho e organização, o que conduz à incidência junto às políticas de desenvolvimento social, educação, saúde, habitação do município. As reuniões semanais com lideranças permitem feedbacks do trabalho e definem os planos futuros. Nestas reuniões, são definidas as famílias que necessitam de prioridade com relação à segurança alimentar e são estas que recebem as cestas básicas e participam das refeições comunitárias. Um dos instrumentos em implementação nas comunidades  é a cartografia social, que permite, além de visibilizar as realidades das famílias, georreferenciamento e as políticas necessárias em cada território. Este instrumento está permitindo uma avaliação direta com as famílias e conta com a participação das comunidades na condução do trabalho.

A Rede Solidária São Léo se dedica a implementar ações concretas que vão desde fornecer material de assistência, como suprimentos alimentares e cuidados médicos, até projetos que fortalecem o envolvimento ativo das comunidades nas decisões que realizaram em suas vidas.

Alguns produtos gerados: Cozinhas comunitárias, hortas comunitárias, Padaria comunitária, Cartografia social das ocupações: Oficinas de artes; Oficinas de apoio escolar; Oficinas de língua portuguesa para jovens e adultos, entre outras ações.


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